Sábado, 20 de Abril de 2013

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vendo a tua mãe pelo preço que comprei

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Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2013

Decorreu no passado sábado o 1º Convénio da Causa. Apresentamos de seguida a foto-reportagem que nos foi enviada pelo correspondente no local e que se interessa por essas merdas:



1- A manhã nasceu calma. Por volta das 15h era este o calmo ambiente à porta do Piolho, ponto de concentração dos participantes no Convénio.

 

 

2- Fundado em 1909, o Piolho foi sendo ao longo de anos local de estudo e encontro de estudantes e, sábado passado não fugiu à regra.

 

 

3- Foram muitas as personalidades que se deslocaram ao local para se inteirarem do desenrolar dos trabalhos do Convénio. Na imagem Manuel Alegre foi uma dessas personalidades, aqui a ser cumprimentado por um popular que também acorreu.



4-Em várias zonas da cidade do Porto e onde houvesse uma tv, um rádio transistor, um MP3 ou uma vulgar cassete, reuniam-se grupos para troca de informações.

 


5- Todos os locais serviam para conhecer as últimas do Convénio dos Trabalhadores da Causa.



6- Enquanto decorria o Convénio foi patente a animação nas imediações, das pessoas que aguardavam os resultados da reunião, tendo tudo corrido com enorme civismo, ao contrário do anunciado por alguns órgãos de informação.



7- Durante os trabalhos a discussão de alguns pontos foi acalorada, como se pode comprovar nesta imagem de um participante com dedo em riste apontando inequivocamente o local do wc.



8- Muito participativo o representante do blogue irmão da Coreia do Norte, aqui acompanhado pela tradutora de castelhano.




9- Um chapéu com outro membro da organização por baixo.



10- Dois membros muito activos na discussão da agenda, aqui posando para uma revista da imprensa côr-de-rosa.

 


11- Em destaque e em 1º plano outro dos participantes que muito contribuiu para a dinâmica e dialética e essas merdas, dos trabalhos.

 


12- à saída, dois membros da organização e um candeeiro prestam declarações à comunicação social.

 

 

13- O núcleo duro, a tasco-force de operacionais 5 menos 1, na ocasião no papel de fotógrafo.

 


14- Agora sim, reconhecíveis na foto e de cima para baixo: Dani Alves, Silvia, Papa Nicolau, Aqualung, Ex-Vincent Poursan.


15- Ao fim da noite e no fim dos trabalhos era este o ambiente em frente do local de realização do evento. Pode ver-se na imagem do lado esquerdo a famosa Torre dos Clérigos, ou lá que caralho é.



16- O tal "satânico pentagrama formado. As cinco pontas estelares devidamente alinhadas para a promoção de catástrofes".




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Domingo, 2 de Dezembro de 2012

# 49

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Quarta-feira, 28 de Novembro de 2012

# 47

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Quarta-feira, 21 de Novembro de 2012

# 44

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Segunda-feira, 19 de Novembro de 2012

# 43

Pela TV observo as greves gerais, e pelos trejeitos de peidas, pupilas reviradas, a implorar, até parece que o Marx ainda existe e que o Ho Chi Minh «averigua». Mesmo depois de pressionar a tecla mute podem-se ouvir os slogans. Os argumentos gritados, esquartejados, picados, liquidificados. Tanto faz. A intimidade entre o prejuízo político e a diminuição de m2 de autonomia financeira dos países da europa não espanta ninguém. Ai, ai, quem me dera ser marxista. Mas a minha piça não se vai chupar sozinha. O marxismo desfatalizou-se e os socialistas de hoje não são propriamente gente valiosa e eu até adivinho porquê. Para fins retóricos, o problema está na equiparação derivativa das estratégias para a decapitação de um governo a um punhado de rodriguinhos com camisa à lenhador. O que, fora dos círculos da punheta, consensualizou-se chamar (sem porra de culpa nenhuma) de DNA do bloco de esquerda. Pois bem. O abismo fiscal continua a cavar-se, e há quem entretenha a cabecinha a discutir princípios para demonstrar por A+B que existe (a partir da aplicação de uma ciranda de handjobs por mãos parcialmente invisíveis) um mínimo capaz de garantir o alargamento de um intervalo civilizatório inteiramente destituído de contrapartidas. Ora ora, minhas putas, nem os estereótipos circulam por mero acaso, nem o fim do mundo é algo que me tire o sono. Para além de usar uma argola em cada mamilo (palavra de honra) e de não saber apontar em que altura do gráfico o autoritarismo social degenera em social-autoritarismo, tenho nos colhões pêlos suficientes para reconhecer a desejabilidade de se estabelecer restrições que orientem como se determina a margem de manobra - e o grau de responsabilidade - dos governos nacionais. O que não me parece necessário é chumbar a matemática para compreender coisinhas simples do quotidiano. Quero dizer, até percebo que o estado das merdas exibe vulnerabilidades acrescidas, e que a manuntenção de um exército de direitos adquiridos está imanentemente limitada pela reserva do possível, do financeiramente possível. Mas mesmo que não nos custe nada revisitar os conceitos weberianos de exclusão, contextualidade, memória e priapismo antipositivista, com toda a porosidade que caracteriza a sua relação articulada, tipicamente conhecida como judicialização da política em modo lenga-lenga, não é preciso vincular o mapeamento da despesa pública em função da sua urgência. Basta substitir x por «um determinado montante de zombies». E depois é atirar-se ao «montante» e enrabá-lo de frente - mas sem deixar de estender o lençol habermasiano de esfera pública (também conhecido como "tenda dos milagres").

 

P.S.: acho que o pombo-correio que enviei a esta gaja foi abatido a cuspidelas.

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Sábado, 17 de Novembro de 2012

# 42

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Quinta-feira, 11 de Outubro de 2012

# 40

 

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Quarta-feira, 1 de Agosto de 2012

# 39

andar às tontas numa época em que passou a ser preciso salvar monstros de donzelas.

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Sexta-feira, 27 de Julho de 2012

# 38

de uma janelinha, um velho está a olhar para nós através da vidraça, abre-a: “o que é que desejam?”. sacode as argolas nas orelhas, ao dizer não com a cabeça. mostra-nos um pandeiro. sorri. faltam-lhe uns dentes. ele tem no dedo um anel com a pedra virada para baixo. bate na pele esticada do pandeiro. pã! pã! começa a dançar. bate mais forte. PÃ! PÃ! gira. sacode o lornhão cravejado de vidros e o leque que estão ao dependuro no pescoço. a cara toda maquilada, igual a uma puta velha, de batom, esmalte nas unhas, barretina, alamares roxos, espada com fiador de ouro e os anéis de cabochão em todos os dedos da mão com que segura o pandeiro. sem parar o barulho, ele abre a porta com o pé. estica bem uma das pernas para fora. arranca o bigodinho à Hitler. estava colado, era falso. dá mais duas giradas e caranguejola com o bigode na mão. a ciganona atrás dele começa com as castanholadas, revoadas de trinados, minúsculos. eu bato palma. não tem outro jeito. depois paro e pergunto sobre a heroína. faz-me um gesto de que aquilo está acima do seu entendimento. ficamos ali. só as cabeças para dentro, damos uma boa olhada. não se ouvia mais o seu tambor. quer nos vender cigarros. tinha pelo menos 3 anos pela frente para esgotar o estoque de Lucky Strike falsificado. recuamos. de longe, vejo o trailer todo mudar de cara. o velho volta a dançar. é a expressão dinâmica das minhas tristezas. as árvores próximas foram decoradas com penduricalhos. o principal sentimento diante das merdas é o de surpresa. merdas planas como discos – vermelhas, verdes, amarelas. ao lado das árvores há pequenas covas. o fundo de um dos buracos está forrado de feno. a palha conserva a forma de um rabo humano. um gajo passa 2 dias metido num daqueles buracos e depois lembra-se dele como sendo tão seguro quanto o seu apartamento em Lisboa. continuo a andar. subo 2 morrinhos. e antes de virar para a direita e alcançar a rua, volto a cabeça. mais 3 ou 4 ciganões desceram do trailer. estão a abraçarem-se como na noite de natal. não sei o porquê, mas todos aqueles abraços fizeram-me recordar da Fátima. a Fátima é uma milf de Sintra que gostava de ter dado 10 filhos para o sucesso das idéias e da verdade de Salazar. para mim, o Salazar é um gajo que devia ser desenterrado e reenforcado todos os anos pelo menos 15 vezes. ele e mais todos os cardeais do vento, Pedro Mexia e etc. agora, ao atravessar a rua, também não sei o porquê, lembrei que, segundo o disse-me-disse, as trombetas deviam soprar num pânico gemelar ao êxtase. mas aqui 0%, nem uma cornetinha. talvez esta merda venha a propósito da bíblia muito mal desenhada ali na parede do hotel. seja como for, nunca mais me endividarei a ler o antigo testamento. o fim do mundo ocorrerá. se é que já não ocorreu.

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Sexta-feira, 29 de Junho de 2012

# 37

um gajo pode passar a noite concentradinho a levar na anilha com o Edward Gibbon inteiro, ou com as artigalhadas da imprensa desportiva britânica dos setenta e cinco últimos anos. pode ser mergulhado em sessões de espiritismo e piqueniques (e assim chegar, limpinho, a 100 anos em dois dias). mas, do lado de cá da linha abissal (soletra-se Maginot) a bojarda típica é uma sapatilha que serve em qualquer um. já o cálculo de indemnizações feito por esta fauninha acrescenta mais duas dúzias de calamidades emergentes a partir das quais nem seria preciso armadilhar conceitos que piscassem o olho à abordagens lusocomunistas. à boleia do que diz o maradona (um gajo que amamenta meio mundo) não há necessidade de cigana para ler a mão da Europa, nem é preciso pedir que ponha a língua para fora para acertarmos o diagnóstico. a Europa esteve a encardir e a perder os pêlos nos últimos 50 anos. e as quatro inocentonas vítimas (Grécia, Espanha, Itália, Portugal) da Alemanha, já tem idade para compreenderem que o terneiro mártir, por mais força com que agadanhe o mundo com todas as opiniões rejuntadas, tem como único momento um pontinho de interrogação. um pontinho que, aliás, será tão somente um candidato promissor à ornamentação do regime – o que quer que isso insinue e o que quer que seja o «regime». até porque a Espanha, não querendo ser confundida com o reviralho, vai trocar o futuro por cada euro que Portugal (achava que) tinha. e os gregos, não demora nada, vão começar a atirar os pratos uns nos outros. tudo para quando os italianos souberem que a inflação é um meio de vida e uma porta de entrada para a compreensão de merdas que podem agora ser replicadas no sistema financeiro com relativa paz de espírito. bom, mesmo sem padrões de imprevisibilidade que atinjam picos inexplicáveis, qualquer motivo tem força para afiambrar o futuro. até eu amanhã posso deixar crescer “umgode” como o do Salvador Dali e ir à Londres pintar o nevoeiro. portanto, descansem as vossas almas num ninho de pêlos públicos: o bem-estar (difuso) é a menor das evidências de que culpar os alemães é como dizer que a Jamaica não vai à frente porque o J custa a fazer a curva.

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Terça-feira, 19 de Junho de 2012

# 36

O meu pai quer tudo no sítio onde o colocou há quase 35 anos. Subo as escadas. Oiço a minha mãe pedir ao meu irmão que deixe crescer um pouco os cabelos louros em anéis. Vou à janela e faço uma sessão de tiro aos pombos. Depois desço e sento entre as verduras no jardim e decido: amanhã estou indo à Copenhaga respirar uma golfada de civilização. Fodam-se.

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Terça-feira, 12 de Junho de 2012

# 34

as primeiras e as últimas conversas com uma pessoa tendem a ter um registo adolescente. estou encostado na porta. meu pai espeta mais um pedaço de assado enquanto fala ao meu irmão a respeito do Impala azul claro que comprou quando tinha a minha idade. vejo embriõezinhos de ressentimentos a espionar por uma fenda de luz entre duas facas de cozinha. viver não significa nada. esta é uma convicção que compartilho com o mais espalhafatosamente schopenhaueriano dos adolescentes. deixo-os ali e subo para o quarto. este quarto que é uma representação do desmoronamento interno do mundo material. olho-o e sinto compaixão por ele, como se se tratasse de uma pessoa. reconheço em cada uma dessas coisas um suplemento de ansiedade capaz de fornecer à minha memória um apoio escorregadio. a mesa diante de mim, ou esta cama que tenho ao lado, carecem nitidamente de esperança. e aquele abajur aceso sobre uma pilha torta de livros é o resultado de uma cumplicidade objectiva onde foi superada a fase em que ainda era possível escolher. até o reebok no parapeito ou o vime trançado de uma cadeira de balanço adquirem o aspecto de uma divagação. relógio, maletas, halteres, livros, calendários... tudo ficou retorcido nos meus nervos. mas, por vezes, sinto a calma de um abismo pré-natal, a submersão de uma multidão de erros no ranho amniótico. e é assim, com uma fadiga prazerosamente inexplicável, que afundo nesta poltrona e na minha falta de curiosidade.

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Sexta-feira, 8 de Junho de 2012

# 32

a rapariga de pescoço tatuado que conheci no bar do hospital apareceu. ela havia subido alguns andares no meu conceito depois que a ouvi desatomizar uma merda dos pixies à base de perdigotos cósmicos na saída leste do estacionamento. tinha-lhe dado uma nota baixa, 4 ou 5. valia mais, talvez 8 em 20. agora está aqui, sentada no meu tapete, a encher o cachimbo com uma espécie de feno. tem as sobrancelhas  e pálpebras pintadas à azul. espirra, funga, fala um pouco da irmã que tem 11 anos e está com leucemia. depois segura o cachimbo com a boca e remexe na pilha de livros ao lado da minha cama. quer levar emprestado dois delillos e um nelson goodman. faço que “sim” com a cabeça. pode fazer punhados de confetes com eles, se quiser. estou de pé. tenho a impressão de que tempestades ou desarranjos químicos estão a engatilharem-se em alguma parte do meu corpo. ela usa uma mochila pequena às costas. não mora longe. posso ver a sua bicicleta pela janela, o guidão apoiado numa lata de lixo. do outro lado da cerca, apanhados nas algas, três putos estão a bater nos recifes de um laguinho artificial. dois deles saem da água. sobem numa árvore, cada um num galho diferente. ameaçam pular. o terceiro berra qualquer coisa e também sai correndo. pronto, vão os três contar as pedras do fundo de cabeça. ela reacende o cachimbo, fala sem parar. vejo as frases multiplicarem-se como pólipos no seu intestino. no fundo, são mais trinta e tantos minutos de conversa mole sobre a quantidade de vazio acumulado numa semaninha em que 2 Vesúvios estiveram a arrebentar ao mesmo tempo na minha cabeça. mas ela continua, quer revirar tudo, os sentimentos errados também... pelo avesso, como os dedos de uma luva. ok. vamos ver, vamos julgar. a longevidade dos Simpsons, merdas futuras, México e Lucy knisley. acabou. ela mete o cachimbo e os livros na mochila e vai embora. lá fora, já montada na sua bicicleta. ela vira a cabeça, me olha sem dizer nada. é o espírito da América com a espingarda carregada. em sursis. mas de quê? bom, já não importa. não aconteceu como queríamos, mas aconteceu.

 

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Quarta-feira, 6 de Junho de 2012

# 31

nem meu pai parece arrependido de ter patrocinado as minhas primeiras insônias, nem meu irmão parece incomodado em financiar as actuais. por exemplo, hoje, ao me encontrar ainda em pé a afocinhar o vidro da janela da sala às 6 da manhã, ele riu e, batendo com o jornal no meu ombro, disse “tens toda a razão, aprende-se mais em uma noite de insônia do que em um ano de roncos e atividade REM”. desgrudo a cara do vidro. tento simular um sorriso. não consigo. estou estupidamente desarmado. diante deles parece que não tive escolha.

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Segunda-feira, 4 de Junho de 2012

# 30

 

 

 

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Sábado, 2 de Junho de 2012

# 29

dirigi por 40 minutos. não é fácil dar as costas a 1 grama de heroína. é como estar dentro de um barril a vencer as cataratas do niágara, ou qualquer merda assim. aquela golden gate pela qual um gajo tem acesso ao resto da humanidade dá mesmo a impressão de ser muito frágil. abro caminho com o carro no meio de um grupo de asiáticos. sou o Leão da montanha, mas ninguém liga um caralho. isto é o mais perto que consigo chegar na descrição dessa cadeia de acontecimentos. já hoje pela manhã, enquanto me barbeava, consolei-me com a idéia de que não é preciso exaurir o papel que modestamente tenho representado. fiquei nu por 20 minutos antes de descer para almoçar. lembro a intensa falta de interesse com que escutei a minha mãe falar do fedor das minhas meias enquanto, ao mesmo tempo, o meu irmão desfiava a tese de que o principal interesse da china é evitar a reunificação da coréia. depois de esforçar-me para engolir o que tinha posto no prato, voltei ao quarto. quinze minutos a flutuar na água morna da banheira foram suficientes para tatear as raízes de diversos problemas. mas a verdade é que não percebo onde isto começou. posso repassar mil vezes a limpo o mês de maio sem jamais compreendê-lo. visto a mesma roupa, e vou até a cozinha pegar um café. o meu sobrinho disse que ontem bebi 17 canecas de café preto. pergunto o que mais ele andou a contar. ele ri e diz que o número de vezes que alguém faz uma determinada coisa é um modo perpendicular de comunicação. “perpendicular a que?”, eu pergunto. “a comunicação directa”, ele responde. “ok. e o que eu estou a dizer perpendicularmente com as 17 canecas de café?” ele não sabe. nem eu.

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Quinta-feira, 31 de Maio de 2012

# 28

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Quarta-feira, 30 de Maio de 2012

# 27

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Segunda-feira, 28 de Maio de 2012

# 26

no jantar ouvi o meu irmão dizer que ao marquês de Béchamel devemos mais que o molho branco. devemos isto, mais todas as minudências e estrangeiradas catitas capazes de forrar o fundo falso de muitos conceitos. por exemplo, a comitiva de clichês necessários para se passar do porto ao vermute e deste, quase sem sobressaltos, ao moscatel. não sei se esses preconceitos algum dia compartilharam o status de Verdades. o que eu sei é que, ao contrário do outro, o Apocalipse que estou a escrever existe. e não apenas da meia-noite às cinco da manhã. acham que estou a usá-los como anteparo para o pingue-pongue das minhas besteiras? não estou. o cancro de alguém come boa parte também das pessoas que estão à volta. e não faz nenhuma diferença que mandem para cá as vossas corvetas e fragatas de apoio. aviso-os daqui: os pudores foram todos enterrados de borco, como os judeus que se suicidam. rir ou rezar? tanto faz. as merdas convergem e a partir daí chamamos tudo de “abstracto”. o cancro ergue o saiote da realidade e deixa-nos ver que há caralhadas de hectares de maneiras diferentes de matar um gajo, mas só uma do gajo morrer. e tudo torna-se, de uma hora para outra, inexplicável. o êxodo de conjecturas tão david humeanamente regurgitadas. guizos, tambores, tudo às costas a chacoalhar, e os acontecimentos sequer levantam a cabeça para nos verem passar. por falar nisto, se quiserem compor um tipo realmente blasé diante das merdas, metam duas ampolas de cianeto na boca e mastiguem – por via das dúvidas, cortem antes a femoral e a aorta. ou isto ou aprendam a chorar com os olhos completamente secos.


lembro do tempo em que roubava moedas e cigarros das gavetas do homem que agora tenho a morrer nos braços. passava as noites a fumar e a ler literatura da Marvel. de lá para cá, nem sempre consegui dormir; mas onde quer que fosse, sempre tentei... estivesse numa tenda árabe ou num iglu, sempre fiz o que pude. dei braçadas infinitas para ir até a minha dimensão mais egoísta. mas claro, – caralho do céu! – claro que ninguém precisa dar-se ao trabalho de acreditar num palito de merda do que digo. desacreditem. é fácil. e não é preciso ficar doente por isto. a verdade só existe para que possamos gafanhotá-la sem qualquer vergonha. e depois, a vida (a minha, pelo menos) tornou-se uma merda impossível de realizar e até de definir. podem-se descartar os acessórios, cruzar os braços, as pernas, e esperar que deste blogue os van goghs saíam sem orelhas, sem olhos, a cuspir os miolos pelo nariz. isto são merdas encontráveis em qualquer lugar e a qualquer hora, a pastorear as vacas e os pensamentos, danças de regimes, democracias aerotransportadas, quebra-quebras de um continente a outro. e a verdade na janela, pendurada pelos pés. e a mentira a fazer par com ela. as duas cadelas a balançar na mesma corda, apertadas no mesmo nó. enfim... uma que coisa que aprendi é que, todos os dias, o diabo acorda cedo para sofisticar os nossos problemas, e não só por uma razão. por dez! cem! o chiaroscuro (e o oscuroscuro) a tremelicar como nos quadros de Le Nain. na verdade, não há situação difícil que se mantenha. uma enfermeira passa pelo corredor. pergunta se estou bem. eu não posso dizer não... também não posso dizer sim, sem mais nem menos. vou até a máquina de coca-cola. pelo jeito há muito tempo que não funciona. o meu relógio biológico também. ele ainda pensa que está em Lisboa. outra enfermeira passa. que rabo! enorme, de um horizonte a outro. onde quer que se esteja, debaixo de uma nuvem de confetes ou na companhia de biliões de fósforos acesos, os sentimentos diante de um rabo bem feito são sempre os mesmos. mais adiante outras enfermeiras, nalgas saltitantes, mamas idem, fazem sucesso pelos corredores. olho para o relógio na parede. 4:00 am. caralho, uma das cadelas não pára de olhar na minha direcção. não era o momento de fazer cara disto ou daquilo. não me vou armar em cético ou bancar o cansado. digo para mim mesmo: peor, é hora de nos regalarmos, não de ficarmos parados a esperar que todos os comboios se choquem. é preciso precipitar as cenas, dedicar algum tempo àquela gaja, ainda que seja apenas para depois poder odiá-la. quanto ao resto, um bocadinho de estoicismo não faz mal a ninguém. à merda! os acontecimentos que se desviem sozinhos.

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Domingo, 27 de Maio de 2012

# 25

depois de subir ao terraço para me drogar, tiro a t-shirt e fico deitado a ver pedaços de estrelas, as luas, boeings, mais toda a caralhosfera a ondular o monóxido continuamente peidado para fritar-me as trombas. um gato grande e laranja saído da tubulação começa a lamber a própria picha. visto a t-shirt. desço as escadas. na rua, em direcção à igreja, há poças enormes, fundas, cheias de lodo e areia. estou a dizer rua mas é, na verdade, uma estrada. da largura de duas champs-elysées (mas bifurcadas). nos prédios, quase em frente ao posto da Texaco, coquetéis e baboseiras e férias e regimentos de gajas a olhar, debruçadas. há pelo menos 4 por janela. elas, muito risonhas, ficam ainda mais curvadas quando eu passo. é o instinto, as cadelas sabem quem é que manda. até a joana d’arc, em chinon, reconheceu carlos VI quando ele estava baralhado no salão. paro na esquina. espero passar o auto-carro e atravesso. à direta, um barracão com um luminoso apagado a dizer “dancing”. em pé, ao lado da porta, alguns gajos estão a fumar um charro. conto-os... seis. a falar francés. tudo isto seria divertido com dinheiro, mas sem um caralho no banco tudo complica. o dia é sempre uma merda e depois de enxurradas de desfeitas compro um analgésico e dois coisos da Marvel para as dores de cabeça. subo à esquerda. duas merdas depois, uma gaja de tranças está a soprar uma corneta em frente a um cinema abandonado. um pistão tão pequeno que só deve ter 3 notas. de qualquer maneira dá uma impressão de música. ao lado, a bater palmas, um gordo muito prussiano. está sentado numa harley, a usar um capacete de ponta estilo guerra de 1914. usa botas, acho eu, não se pode ver. só enxergo um enorme torrão de lama nos pés dele e nas pernas, como botas. olho melhor... está cansado, pára de rir, ajeita-se na harley, chupa o bigode, as pontas, amarela e brancas. tudo bem. é preciso de tudo para fazer o mundo. e depois, com a agulha no braço, os sentimentos levantam acampamento. ficam só umas lembrancinhas a cobrir a cabeça com as saias levantadas.

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Quarta-feira, 16 de Maio de 2012

# 24

e como se não bastassem as merdas actuais, um gajo ainda corre o risco (com 100% de aproveitamento) de escorregar para dentro de buracos-negros pretéritos

 

 

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Sábado, 5 de Maio de 2012

# 23

demoro 1h menos cagagésimos (em média) para chegar à cona do costume. mas hoje, depois de esbarrar numa quantidade arbitrária de formas específicas (dois bares, um cisco de 1.76 de altura e cabelos pintados à trigo chamado Fátima, etc), ainda há pela frente uns 250 metros, metade dos quais a subir. do outro lado da rua um bando de tadinhos estão a bater fotos uns dos outros. duas gajas afastam-se do cardume, descem por um filtro de entranhas e coágulos até o ponto do auto-carro. fecho os olhos por um instante. foi sempre assim. vejo os outros eichmanneanamente; quero dizer, como a oportunidade que tenho de estabelecer as condições para mandá-los para mais longe, por mais longe que estiverem. numa forma muito menos geral de oposição, enquanto caminho, me distraio a pensar que a Fernanda Câncio é uma espécie de apeadeiro do mal, ou uma merda que da cintura para baixo funciona em estado de calamidade, o tipo de gaja que percebe sempre só metade da piada e que, invariavelmente, ostenta uma tiara de opiniões prontas sobre a cabeça. meto a mão ao bolso da jaqueta e ouço-me dizer: “não te enchourices, pá!”. a aleatoriedade das merdas não tem pontos fracos. atravesso a rua. à esquerda, o nosso reflexo num pedaço de vitrina: Lisboa e eu. à direita outra cena patética, da qual obrigo-me a participar. dois gajos a empurrar uma camioneta cona acima. primeiro o motor engasga, vibroleia, é um golfo com 100 achaques asmáticos fundidos no espanto. não há azul dos olhos que resista. tusso, cuspo, esfrego. o gajo ao lado é gordo. está bué vermelho. acho que as tripas dele vão pular da barriga a qualquer momento. somos dois cavaleiros ao invés de quatro. tudo bem. não faz mal. na tentativa de particionar ainda mais o país com outros regionalismos, menciono a tristeza da camisola que ele veste. ele sorri. tanto quanto eu, não percebe nada do que digo. faço um bocadinho mais de força. ok. os gajos agradecem, sobem na camioneta, dobram à direita e somem. volto a pensar na Fernanda Câncio. fico a perguntar-me: que conselho darias àquela puta, ó peor? não sei, acho que diria: faz falta meteres o renato teixeira e o carlos vidal a andarem ali armados em rodriguinhos sinceros assim como construir meia dúzia de quilômetros de argumentos para os afastar. e seja qual for a opinião que este gesto nos mereça, não é preciso debitar vínculos num mundo politicamente largado ao improviso. até porque a jacobinice entre os socialistas costuma supor que a existência prática de um gajo se desenvolve a partir da busca por uma lei que seja válida para todos e que a privacidade de qualquer um é só o exemplo fortuito de uma generalidade, ou como quem diz raison d'etat. bato à porta. uma. duas. oito vezes. a minha foda não está. conto os euros. desço as escadas. é só isto. não vou extraviá-los com “estados secundários”. no táxi o ringtone do black sabbath toca. não atendo. o motorista quer saber como é que fui parar ali. finjo que estou a escrever uma sms. ele fala de Lisboa. aponta pela janela: “vai encontrar tudo aqui!”. é a ocasião de parecer convencido, de concordar. faço que “sim” com a cabeça. ele continua a falar. de uma coisa eu tinha certeza, pouco a pouco ele estava me dando sono. mas não vamos por aqui derivado ao excesso de opções ao nosso dispor de o mandar para o caralho. em casa, depois de um charro e dois hambúrgueres, despejei na retrete um punhado de maispeorzinhos ainda em girino. o mais notável é que fiz isto com discrição, o que pode levar a crer que não era indispensável.

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Segunda-feira, 30 de Abril de 2012

# 22

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Sábado, 28 de Abril de 2012

# 21

há muitas maneiras de aversão aos manuais. ou há apenas uma que até pode ser transversal a todas as merdas, mas isto não incapacita a ninguém de fugir com o rabo metido num canto diferente do habitual quando, a léguas de imaginar que não seja possível rir de uma discrição que gosta de comer os outros por papalvos, dá jeito dizer credível (palavra que, no frigir das merdas, utilizo apenas para faltar ao respeito).

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Sexta-feira, 27 de Abril de 2012

# 20

eu ainda acabo por apanhar uma gaja dessas, que é o que falta para que a arca fique completa.

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Quinta-feira, 26 de Abril de 2012

# 19

um colhão de meses depois, mesmo eu que não percebo um ovo da poda, posso garantir que aquilo (aquilo de ser tão cliché ao ponto de não ter força para empurrar as caravelas na direção de um outro caralho qualquer) pode acabar à coronhada. por que, no fundo, são coronhadas que levam um gajo a concluir que isto até dava uma daquelas anedotas dos cúmulos, onde dar continuidade às cenas é tão fácil como aborrecido.

 

contudo, este blogue ainda oferece uma justificação muito simples e casuística da sua existência: alguém que não rabisque um blogue não é capaz de valorar nenhum outro correctamente. o que, no limite, até significa dizer que a raiz gambozina dos argumentos é esta: sem que eu expelisse as razões para edificar vinte e tantas torres de Pisa sobre este permafrost, a dificílima tarefa de acompanhar as merdas não daria lugar a nenhum esquema suficiente para compreendê-las, o que sem fazer flores e abordando os factos nas suas dimensões específicas, implica chumbar o estágio sebastiânico a que este blogue chegou.

 

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Quarta-feira, 29 de Junho de 2011

# 18

Nem é preciso reinventar Portugal desde o ponto de vista do inferno clássico, e de pouca coisa serve validar com efeitos retroactivos uma mancha cinza com um brilho de animosidade. No entanto, reparem, no entanto, eu também gostava de dizer como é que vejo o frasco de desodorante, a caixa do Reebok (que agora é caixa de remédios), as cascas de laranja e maçã-verde no prato, o prato, o cortinado da janela. Enfim. Devia tentar dizer como é que cada coisa sobressai dum fundo, sem exagerar nada. Considerar estas merdas com clareza e atirá-las rente ao chão para as fazer saltar de ricochete até a porta, e sobretudo ordená-las em posts de 7 ou 8cm (mesmo que depois reste apenas esta impressão de palavra riscada, sem outra por cima).

O mais peor às 08:45
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Segunda-feira, 27 de Junho de 2011

# 17

Até que enfim que me calha a vez de dizer o que penso numa controvérsia que terá de ser logo trocada por outras mais fáceis de alimentar. Apesar das muitas lapalissadas pelas quais chegamos ao epicentro da desigualdade sexual ou ao status de empata-fodas (nunca sei), não existe o mínimo de confiança meteorológica (ia dizer hormonal, mas não estou nada convencido disso) nas funções políticas dos atirados ao Rossio.

 

Reportei-me àqueles badalhocas pelo que têm de revelador - e não de representativo - da ociosidade na esquerda portuguesa ou (para deixar mais explicadinho) daquela necessidade de se partir de uma noção mais ampla para se dizer que os preconceitos são merdas que (apesar de tudo) não podem começar do zero. Claro, eu não só admito como encorajo as intenções de plenarizar em meio ao coito. Mas nem com toda a psicanálise do mundo os nexos comporiam um álibi (reparem que às vezes eu até sei o que digo). Ainda assim, caso não tenham percebido, não é isto que vai me fazer sair de casa. Sobretudo porque não há margem de manobra ou grau de responsabilidade que forneçam, a um mundo destituído de contrapartidas, elasticidade que perfaça os quilómetros recuados de quecas não dadas na última década. E tenho inclusive pachorra suficiente para lembrar-vos de que não nego a existência de lacunas e problemas substantivos ou estatutários na selectividade e relativização impostas à contabilidade interna das fodas. O que não é nem de perto nem de longe da responsabilidade dos meus deméritos. Na verdade, a minha esperteza peticionária percebeu que há um colhão de anos à sujidade nos vincos da minha vontade não há conceito weberiano ou euromillhões que a limpe.

 


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Quinta-feira, 23 de Junho de 2011

# 16

Ontem, em frente à Estação de Santa Apolónia, deu-me uma tremenda vontade de cagar. Fechei o cu e tentei caminhar. Mas aquele tarugo de merda (com os analgésicos e antidepressivos que desde segunda-feira me bóiam no estômago) não confirmava os propósitos, isto é, não torturava para me obrigar a revelar um facto, mas para me obrigar a ser cúmplice de uma ficção. Foi um belo fiasco. Segui todas as indicações que me deram e não encontrei a sanita. O senso comum nos diz que não há motivo para deixar ao acaso quando se pode interferir, e o sentido crítico que não me esforço por manter (e compromete-me a não falar da rulote de ninguém) não retrocede 10 centímetros na minha nem um pouco fascinante personalidade. Seja como for, quando uma pessoa resolve cagar em público, e isto é válido tanto para públicos pequenos e altamente especializados quanto para multidões que simplesmente não a entendem nem sentem necessidade de entendê-la, não é preciso salientar que não será por isso que passaremos então a preocupar-nos menos com os cabeceadores nas bolas paradas.

O mais peor às 08:10
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Quarta-feira, 22 de Junho de 2011

# 15

o belmiro foi aquele que melhor respondeu ao pior questionário literário do mundo. ele (ele belmiro) parece ter sempre razão ao apoiar os dois cotovelos na transversalidade dos argumentos; por exemplo, quando reinvindica o valor do mourinho (coisa que fez veladamente ao recordar do cheiro a courato chamuscado que as suas sobrancelhas fumegantes libertavam ao concluir a leitura do gravity's rainbow).

 

belmiro, quando, mais tarde, essas merdas matizarem teu entusiasmo e frearem tua simpatia, descobrirás uma coisa secundária, mas importantíssima. avisa-me do que se trata.

 

gostava apenas de preveni-lo do seguinte: uma subida de dez pontos no coeficiente intelectual do mourinho poderia ter salvo a selecção portuguesa dos jogadores portugueses em pelo menos três Copas do Mundo. e uma subida equivalente no (coeficiente) de Scolari poderia ter livrado o mundo de mourinho.

 

O mais peor às 06:37
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Terça-feira, 22 de Fevereiro de 2011

# 14

Uma das garçonetes com quem tenho uma amizade toda particular contou-me que o dono do estabelecimento onde (de segunda a quinta) engulo o café da manhã, costuma resmungar que eu devo ter sido educado pelos crocodilos numa fossa em algum precipício ao norte. O proprietário daquela merda é o tipo de pessoa que recebe muitos apelidos (todos eles resumindo bastante bem etapas da sua personalidade). Temporariamente o chamo de Carlos Vidal. Eu fico pensando enquanto bebo meu café: maior coincidência que esta só pode ser encontrada no facto de Hitler e Stalin medirem ambos 1,62m, não é mesmo? Aliás, a propósito de nada, sugiro que se edite em Portugal os poemas de Stalin, Castro, Mao e Ho Chi Minh num único e espectaluar volume com ilustrações da Menina Feijão (ou do Pedro Vieira). Seria um notável testemunho de que a força dos sentimentos portugueses lesiona (e muito!) seus interesses.

 

O mais peor às 08:58
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Segunda-feira, 21 de Fevereiro de 2011

# 13

L’amour physique est sans issue. Não é mesmo, maradoninha?

 

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Domingo, 20 de Fevereiro de 2011

# 12

Numa escala tolstoiana de operação (assim, com multidões de posts a desfilar numa direção ou noutra), uma comprida cola de bloggers que não conseguem ir além de uma reactiva e acanhada liturgia de autofelicitações, tem no fundo a consciência (e não apenas a convicção) de que o realismo socialista (um pensamento de 250 gramas, pegajoso como argila) é tão pouco entranhável numa perspectiva sem ares de curandeirismo como a façanha de se viver em Genebra com os níveis africanos de probreza, desnutrição, e o caralho (e aqui "caralho" é uma palavra que se emprega com desprezo ou não se emprega em absoluto).

O que quero e penso estar a dizer, não é apenas que eu não gosto de merdas que são ditas como se a verdade se tivesse convertido, por fim, num tema urgente, nem tampouco que a contrapartida auditiva daquele grandessíssimo naco de merda só possa ser os Deolinda, mas, sobretudo, que compreendo a pouca paciência do maradona com o carácter contemporizador e polêmico daqueles que empurram (em 100% dos casos, de um modo deliberadamente aleatório) uns conceitos contra outros destruindo a Baía da Guanabara que os separa.

Ainda assim, recomendo que peguem nos posts do António Figueira, e com eles uma vez ao mês assoem o nariz ou limpem o cu (ou intercalem). Porque (e uma parte de mim (de qualquer um) reconhece que esta recomendação foi um acto totalmente judicioso) não sei se algum dia chegaremos a ter uma imagem representativa do embotamento moral* do seu estilo, daquele estilo vesgo (devido a intensidade do seu enfoque), daquelas frases continuamente mal fodidas por exageros microscópicos. Individualmente é quanto pesa o território português, aproximadamente o mesmo que pesava aquilo que hoje é o que chamam de esforços de imaginação. Esforços que se estendem geograficamente de Lisboa até o caralho que o parta a umas quatro mil e quinhentas pulsações por hora. E isto, no meu estúpido modo de ver, é qualquer coisa como a descossaquização da Rússia. Pior: é como abrir mão de um fatalismo por outro mais ofensivo, sem apesar disto perceber o pequeno passo que dá seu estilo até àquilo que tão pouco conhece (e merdas assim, legal ou ilegalmente, são coisas (esforços) que se fazem pelo estilo, mas não por satisfações quotidianas). Seja como for, temos uma Lisboa inteira de razões para fugirmos daquela densidade claustrofóbica que nem Goya nem Gustavo Doré teriam imaginado (ou teriam?). Bom, não sei. Apesar disto, não custa nada admitir, mais ou menos explicitamente, que parece possível, inclusive iminente, que venha a pôr em quarentena o motivo pelo qual simpatizo com ele ou, pelo menos, sinto-me obrigado a compreendê-lo.

 

* Até porque a busca subseqüente, muito mais que um esforço por ser exacto, é a busca de um ritmo idôneo, mesmo que o asco que proporcione não seja rigorosamente moral.

O mais peor às 15:03
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Quinta-feira, 17 de Fevereiro de 2011

# 11

O mais peor às 07:12
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Segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2011

# 10

O gordo com um destino de blogger (não estou a falar do maradona), apesar da palpável subida de tom e ligeira engrossada na voz, não parece estar muito à vontade com o fato de que a verdade, como todos os demais valores humanos, pode ser chutada na cara indefinidamente.

Mas, mesmo que este fracasso circunstancial não comprometa nem ponha diante do homem um sinal de menos, pode ainda se manifestar com um chiste de alcance limitado em mais um post profundo e retroactivo, perdido na imensidade da internet.

O mais peor às 08:21
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# 9

Quem se importa com o efeito social do predomínio dos sindicatos de torcidas organizadas na irrelevância que é o futebol português, deveria saber (ou pelo menos supor) que para explicar esta humilhação desportiva é preciso aduzir certas condições metereológicas que estão (sempre estiveram) inteiramente de acordo com uma não muito comovedora mescla de ingênuas expectativas pessoais com vinte e cinco segundos de sóbria reflexão.

É ridículo (ainda que totalmente coerente com as conquistas da selecção portuguesa) acreditar que as clarividências relativamente maliciosas do besugo não serão esvaziadas por uma espécie de epidemia de desinteresse selectivo.

Não tenho nenhuma esperança de encontrar uma conexão mais estructural entre estas merdas. Para isto, cavalheiros, dez quecas equivalem a trinta anos. O que, como é óbvio, em circunstâncias normais sugere uma actividade tão pouco frequente que agora, e apenas agora, é que podemos (e portanto devemos) insistir na criação (ou gerenciamento) de uma disposição que nos garanta a simpatia (ou pelo menos a neutralidade) daquele bando de anormais cheios de barbas postiças e contra-senhas que atabalhoadamente tentam mistificar a idéia de um mundo pré-mourinho. Como se as outras equipas (as do Ferguson, do Lippi, ou mesmo do Scolari) pudessem ser reduzidas a máquinas de movimento perpétuo.

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Sábado, 12 de Fevereiro de 2011

# 8

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Sexta-feira, 11 de Fevereiro de 2011

# 7

tal como entendo actualmente, a minha solvência geral e confusao especifica na companhia d eum blogue adulto é tão devastadora que os conflitos são uma descrição do que eu queria que fossem, e por uma série de cabriolas e casualidades maravilhosas eu tenho amor por este blogue, ainda que (numa perspectiva stalinista) todos os campos sejam campos de exterminio

O mais peor às 20:16
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# 6 memorias

no primeiro trimestre que passei em chicago fui a uma manifestação contra a demolição de um chafariz. as pessoas discursavam por dez minutos e tinham bons modos, nenhuma obscenidade num raio de 3 quarteiroes .  fiz 17 anos 4 dias depois de realizar a primeira colonoscopia na minha primeira-segunda namorada. foi basicamente pra enrabá-la que falei em publico por 5 minutos a respeito de um chafariz que nunca tinha visto na vida. bom, o que eu disse nao foi grande coisa, mas parece que encaixou.

chamava-se camile, um nome que significa para mim o mesmo que auschwitz para um judeu

O mais peor às 04:08
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# 5 (ou porque o carlos vidal vai se tornar um homem de direita e um heterossexual razoavelmente activo)

o que basicamente o delito de opiniao naõ é é um blogue politico sem deixar de ser pessoal. todo o mundo em portugal parece sentar a bunda sobre um ponto  incognoscivel do pensanmento do seculo xx: a, digamos, especie de tolerancia dos homossexuais ocidentais ao socialismo. No ocidente os homossexuais (exceto o maradona) são todos sovietólogos, com muita saeva indignato e pouca (nenhuma no caso do 5 dias) imaginação*.

a resposta mais adequada a esses bandalhos é qualquer uma que seja eminentemente legivel e sem nenhum sentido de humor. Porqu? Porque sim, mas também porque o unico grande serviço prestado por alguem que lê varios metros de livros por semana (entenda-se: o maradona) é despertar o nosso instinto de proteção.

deveríamos portegê-lo porque, como è sabido,  o mundo é cheio de maus antecedentes. e o conteúdo destaas merdas é tão oportunamente simetrico que em 2 minutos e alguns nanosegundos a mais ou a menos qualquer um pode encontrar sem dificuldades outros cinco 5 dias, e outros cinco, e cinco mais.

felizmente a leitura dessas merdas foi o meu unico conctato com a vida proletaria. e o que posso dizer sobre elas é que são feitas de argumentos essencialmente falsos, mas que nem por isto deixam de ser instrutivos (mesmo para quem, como eu, faz parte de uma minuscula e muito detestada minoria)

 

* menos o tiago ribeiro e o antonio figueira que saõ (por contraste) quase que exclusivamente imaginativos

O mais peor às 01:01
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Quinta-feira, 10 de Fevereiro de 2011

# 4

travei ao ler esta merda nas primeiras linhas. o cavalheiro gosta de leitinho, reparem, "não de um leitinho qualquer" mas aquele especial (que provavelmente gruda-lhe na mandíbula, sem empoçar-lhe as covas da clavícula), e ainda queixa-se de que "ninguém lhe paga para isto". realmente aquilo é um manual de maus costumes.

O mais peor às 18:29
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# 3

O mais peor às 16:59
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# 2

a primeira merda que vaõ querer saber é  como eu fui parar na porcaria da caixa de comentarios do maradona, o que eu fazia antes de dizer as merdas, e todaa essa panasquice tipo david copperfield, mas a verdade é´que eu nao tenho uma biografia nem nada.

Eu aprendi o portugues com as putas em madri, em primeiro lugar. de 2003 para 2005 (segundo o ministerio do inteiror espanhol) o numero de putas brasileiras aumentou 80%, passando de 3.332 para 6.015. eu, para azar das ideias socialistas do carlos vidal, nao fodi todas elas. mas uma pequena boa parte, sim.

madri, todos nesta porra sabem melhor do que eu, é relativamente perto de lisboa (aproximadamente 620km). eu percorri a distancia entre essas merdas num daqueles carrinhos ingleses em companhia de uma puta, mas essa era arménia e nao brasileira. a coisa que ela mais gostava era do jacto de leite na laringe sem tirar a ponta do nabo das amigdalas. acabei largando-a em évora, porque nao era exatamente um tipo que deixasse a gente salivando o tempo todo

O mais peor às 05:53
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# 1

é assim que, sem se preocupar em carregar a world wide web com ares de behaviorismo, um gentleman cambrioleur começa um blogue

 

Wizard: Look at it this way. A man takes a job, you know? And that job - I mean, like that - That becomes what he is. You know, like - You do a thing and that's what you are. Like I've been a cabbie for thirteen years. Ten years at night. I still don't own my own cab. You know why? Because I don't want to. That must be what I want. To be on the night shift drivin' somebody else's cab. You understand? I mean, you become - You get a job, you become the job. One guy lives in Brooklyn. One guy lives in Sutton Place. You got a lawyer. Another guy's a doctor. Another guy dies. Another guy gets well. People are born, y'know? I envy you, your youth. Go on, get laid, get drunk. Do anything. You got no choice, anyway. I mean, we're all fucked. More or less, ya know.


Travis Bickle: I don't know. That's about the dumbest thing I ever heard.

 

Wizard: It's not Bertrand Russell. But what do you want? I'm a cabbie. What do I know? I don't even know what the fuck you're talking about.

 

Travis Bickle: Maybe I don't know either.

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