Sexta-feira, 29 de Junho de 2012

# 37

um gajo pode passar a noite concentradinho a levar na anilha com o Edward Gibbon inteiro, ou com as artigalhadas da imprensa desportiva britânica dos setenta e cinco últimos anos. pode ser mergulhado em sessões de espiritismo e piqueniques (e assim chegar, limpinho, a 100 anos em dois dias). mas, do lado de cá da linha abissal (soletra-se Maginot) a bojarda típica é uma sapatilha que serve em qualquer um. já o cálculo de indemnizações feito por esta fauninha acrescenta mais duas dúzias de calamidades emergentes a partir das quais nem seria preciso armadilhar conceitos que piscassem o olho à abordagens lusocomunistas. à boleia do que diz o maradona (um gajo que amamenta meio mundo) não há necessidade de cigana para ler a mão da Europa, nem é preciso pedir que ponha a língua para fora para acertarmos o diagnóstico. a Europa esteve a encardir e a perder os pêlos nos últimos 50 anos. e as quatro inocentonas vítimas (Grécia, Espanha, Itália, Portugal) da Alemanha, já tem idade para compreenderem que o terneiro mártir, por mais força com que agadanhe o mundo com todas as opiniões rejuntadas, tem como único momento um pontinho de interrogação. um pontinho que, aliás, será tão somente um candidato promissor à ornamentação do regime – o que quer que isso insinue e o que quer que seja o «regime». até porque a Espanha, não querendo ser confundida com o reviralho, vai trocar o futuro por cada euro que Portugal (achava que) tinha. e os gregos, não demora nada, vão começar a atirar os pratos uns nos outros. tudo para quando os italianos souberem que a inflação é um meio de vida e uma porta de entrada para a compreensão de merdas que podem agora ser replicadas no sistema financeiro com relativa paz de espírito. bom, mesmo sem padrões de imprevisibilidade que atinjam picos inexplicáveis, qualquer motivo tem força para afiambrar o futuro. até eu amanhã posso deixar crescer “umgode” como o do Salvador Dali e ir à Londres pintar o nevoeiro. portanto, descansem as vossas almas num ninho de pêlos públicos: o bem-estar (difuso) é a menor das evidências de que culpar os alemães é como dizer que a Jamaica não vai à frente porque o J custa a fazer a curva.

O mais peor às 11:30
link do post | comentar
3 comentários:
De dani alves a 6 de Julho de 2012 às 22:05
mané, tô chegando


De Blind Observer a 5 de Julho de 2012 às 15:53
"Eu - Você pode querer aprender a tocar violão mais tarde?

AGATHA - Sim, e eu acho que sei como tocar, porque já posso fazer isso sem guitarra (ela diz, coçando a barriga)."


De dani alves a 6 de Julho de 2012 às 10:48
cu, cu, mané


Comentar post