Segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2011

# 9

Quem se importa com o efeito social do predomínio dos sindicatos de torcidas organizadas na irrelevância que é o futebol português, deveria saber (ou pelo menos supor) que para explicar esta humilhação desportiva é preciso aduzir certas condições metereológicas que estão (sempre estiveram) inteiramente de acordo com uma não muito comovedora mescla de ingênuas expectativas pessoais com vinte e cinco segundos de sóbria reflexão.

É ridículo (ainda que totalmente coerente com as conquistas da selecção portuguesa) acreditar que as clarividências relativamente maliciosas do besugo não serão esvaziadas por uma espécie de epidemia de desinteresse selectivo.

Não tenho nenhuma esperança de encontrar uma conexão mais estructural entre estas merdas. Para isto, cavalheiros, dez quecas equivalem a trinta anos. O que, como é óbvio, em circunstâncias normais sugere uma actividade tão pouco frequente que agora, e apenas agora, é que podemos (e portanto devemos) insistir na criação (ou gerenciamento) de uma disposição que nos garanta a simpatia (ou pelo menos a neutralidade) daquele bando de anormais cheios de barbas postiças e contra-senhas que atabalhoadamente tentam mistificar a idéia de um mundo pré-mourinho. Como se as outras equipas (as do Ferguson, do Lippi, ou mesmo do Scolari) pudessem ser reduzidas a máquinas de movimento perpétuo.

O mais peor às 07:34
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